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artigos › 13/11/2017

Partilhar com os pobres

A Igreja tem a graça de celebrar no próximo dia 19 de novembro, o Dia Mundial dos Pobres. Esta data foi instituída pelo Papa Francisco. Para motivar a celebração deste dia tão especial, o Papa Francisco escreveu uma carta com o tema: “não amemos com palavras, mas com obras”. É uma mensagem repleta de citações bíblicas e orientações claras para nosso posicionamento eclesial.

Uma reflexão é sobre a partilha. Exatamente no número 9 da carta, o Santo Padre quer motivar aos Bispos, padres e diáconos, às pessoas consagradas, às associações, os movimentos e ao vasto mundo do voluntariado que olhem para os pobres e façam algo por eles. O Papa recorda que: “os pobres não são um problema”.

Meditando sobre os Evangelhos, impressiona-nos a mensagem de Cristo, fundada totalmente no amor aos irmãos, na caridade e na partilha. Além das vezes que o Divino Mestre fala do amor que devemos ter para com Deus que é Pai quando Ele sempre nos apresenta como o doador de tudo, que nos ama a ponto de dar o Filho a morte para a salvação dos homens Ele reafirma o primeiro mandamento do amor a Deus, logo, a seguir completa-o o amor ao próximo. Ilustra-o na Parábola do Bom Samaritano (Lucas 10, 25-37).

As cartas do apostólo João insistem no mesmo aspecto catequético e com clareza apostólica, afirma que aquele que diz amar a Deus e não amar a seus irmãos é um mentiroso. E continua que é muito fácil proclamar que amamos a Deus, a quem não vemos, mas se desprezamos os irmãos que estão ao nosso lado, onde estão a caridade, onde estão o amor? (1Jo.4,20).

Paulo, na sua Carta aos Coríntios (Coríntios 13), proclama e exalta a caridade (partilha). Quase sabemos de cor o texto maravilhoso. Somos levados a interpretar esse hino como o amor ao Pai Celeste. Mas, o apostólo fala da excelência do amor entre os irmãos. Ainda que eu falasse todas as línguas dos anjos, ou tivesse toda a ciência, sem a caridade seria um bronze que soa e cujo som se perde nas quebradas dos montes. Logo a seguir nos ensina em que consiste a caridade: na paciência, na humildade, no fazer o bem, na longanimidade, na partilha da dor e da alegria com os irmãos, no perdão tão difícil. E conclui pela perenidade do amor e da caridade. Tudo cessa quando vier a perfeição, exceto a caridade, pela qual seremos medidos.

Quero recordar aqui também o Evangelho onde Jesus sacia a multidão. Demos um passo em frente: de onde nasce o convite que Jesus faz aos discípulos para que tirem eles mesmos a fome à multidão? Nasce de dois motivos: em primeiro lugar da turba que, seguindo Jesus, se encontra em campo aberto, longe de lugares habitados, enquanto se faz noite; e, depois, da preocupação dos discípulos que pedem a Jesus para despedir as pessoas para que vá para as terras vizinhas para encontrar alimento e alojamento (cf. Lc 9,12). Diante da necessidade da multidão, eis a solução dos discípulos: que cada um pense em si próprio; despedir a multidão! Quantas vezes nós, cristãos, temos esta tentação. Não fazemos caso da necessidade dos outros, despedindo-os com um piedoso “Que Deus te ajude”, ou com um não tão piedoso “Boa sorte”.

Mas a solução de Jesus vai noutro sentido, um sentido que surpreende os discípulos: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Mas como é que é possível sermos nós a dar de comer a uma multidão? “Só temos cinco pães e dois peixes” onde iremos comprar alimento para toda esta gente? (Lc 9,13). Mas Jesus não se desencoraja: pede aos discípulos para fazerem sentar as gentes em comunidades de cinquenta pessoas, levanta os olhos ao céu, recita a bênção, parte os pães e dá-os aos discípulos para que os distribuam (cf. Lc 9,16). É um momento de profunda comunhão: a multidão saciada pela palavra do Senhor é agora alimentada pelo seu pão de vida. E todos foram saciados, nota o evangelista (cf. Lc 9,17).

Ao olhar este Evangelho vemos é claro o milagre, mas, também a partilha. Partilhar significa doar e entregar. Somos convidados a partilhar! Olhemos para os pobres de nossa comunidade para assim ajuda-los. Quanto a caridade e a partilha dizia o patrono da caridade e dos pobres: “dez vezes irão aos pobres, dez vezes encontrarão a Deus” ( São Vicente de Paulo).

Por Cardeal Orani João Tempesta – Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

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